Depois de uma vida sem postar resenhas aqui no Amiga Entre Livros, venho com um livro que até hoje não sei definir bem, não sei bem dizer se realmente gostei. Bom, mas mesmo assim ainda posso escrever sobre as impressões que tenho até o presente momento. Espero que gostem.
Autor: Ali Shaw
Páginas: 288
Editora: LeYa Brasil
Nota: 3/5
SINOPSE:
Cenários cinematográficos, paisagens paradisíacas, pântanos congelados com
animais transformados em vidro, florestas brancas, penhascos
monocromáticos, um oceano de baleias, lendas e águas-vivas. Este é o universo
fantástico de Ali Shaw, autor britânico que renova as fábulas e cria uma
inusitada história de amor. Midas é um tímido fotógrafo ilhéu. Ida é uma jovem
aventureira que vem ao arquipélago de Saint Hauda's Land buscar a cura para sua
misteriosa doença. Ela está se transformando em vidro e juntos buscam uma solução.
O que eles mais precisam é de tempo - e o tempo está passando rápido. Será que
vão encontrar uma maneira de evitar a propagação do vidro?
A Garota dos Pés de Vidro foi um livro
que me conquistou logo de início pela capa - admito que nem é essas coisas. Fiquei encantada, e, por favor, não
me julguem, mas ela me deu uma vontade tão grande de ler o livro como poucas
capas já fizeram comigo. Na curiosidade, fui em busca de algumas resenhas pelo
Skoob mesmo, e me deparo com oposto bem marcados. Algumas pessoas amaram a
história exaltando sua sensibilidade, outras detestaram criticando sua lentidão
e falta de atrativos. Pelo menos nas resenhas que li, as opiniões pareciam sempre
transitar entre esses dois pontos, e isso me deixou mais curiosa ainda pelo
livro, queria saber para qual lado eu penderia. Iniciei a leitura, mas sempre
dizendo a mim mesma que não iria me afobar em expectativas.
A sinopse conta bem a suma de A Garota dos Pés
de Vidros, uma história de amor entre duas pessoas num lugar pacato, que se
desenvolve de forma inesperada diante da realidade que os personagens
principais precisam viver e encarar, ou ao menos tentar, com a doença de Ida,
que aos poucos, vê seu corpo virar gelo. Midas é um rapaz antissocial, que
encontra na fotografia sua verdadeira paixão e espace para suas questões mal
resolvidas com seu passado. O inicio do livro é fantástico, pois os ângulos, as
imagens capturadas pela lente de Midas ganham vida, personificando-se,
mostrando seu jeito particular de capturar um mundo em movimento.
E o livro é bem isso, pacato em sua
história. Às vezes dá a impressão de que poderia ser facilmente resumido na
metade do número de páginas, mas também me levou a pensar que ele foi
verdadeiro em sua forma de lidar com a vida, que em muitos momentos se move de
forma lenta, de uma forma que parece não influenciar a vida de muitas pessoas.
A história trata de algo mais íntimo, da insegurança de duas pessoas e como
elas lidam com suas incertezas e com o impacto de uma doença aparentemente
incurável. Mas na verdade os personagens se entrelaçam, de alguma
forma, e o melhor é que o leitor verdadeiramente sabe mais que os personagens,
e continua sabendo ainda que os mesmos não venham a ter conhecimento, o que é uma
experiência muito interessante.
Não me apaixonei perdidamente pela
história, nem muito menos detestei sua forma de ser construída, mas fico feliz
que minha curiosidade tenha me levado a ler A Garota dos Pés de Vidro. Dizem que o branco é
a mistura de todas as cores, então talvez isso explique porque o livro
despertou tantos sentimentos diferentes em mim.
Mas então, um dia, aprendi que um único olhar pode mudar tudo. E desde então vi isso infinitas vezes. Lutei pra entender e falei. Por exemplo, foi necessário apenas o olhar de um outro homem para minha mulher perder o amor por mim. Me espanta que um simples alinhamento dos olhos possa causar tanta devastação. Aprendi isso da forma mais dura e, quando aprendi isso, a existência dessa criatura, desse demônio que pode transformar tudo em branco com um olhar, se tornou uma coisa maligna em si (página 203).

Eu sempre tive muita vontade de ler esse livro e sua resenha foi ótima! Espero lê-lo logo pra tirar minhas conclusões. :3
ResponderExcluirBeijos, Mari.
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