26 fevereiro 2015

Amigas entre Filmes - Selma

Nome Original: Selma
Diretora: Ava DuVernay
Roteirista: Paul Webb
IMDB: Selma


           
            Filmes como Selma possuem um significado especial para mim, eles me mostram tudo aquilo pelo que meus antecessores lutaram, e o quanto ainda há para fazer até que consigamos garantir equidade.
            Martin Luther King Jr. Foi um importante líder negro estadunidense que buscava a implantação dos direitos do povo negro naquele país. Em Selma vemos os bastidores que o levou a marchar da cidade de Selma até Montgomery, no Alabama, para exigir que o direito de voto fosse respeitado, pois, autoridades brancas usavam de artifícios ilegais para proibir que os negros pudessem votar.
            Selma nos mostra a vida nos anos 60, nos EUA, e como a sociedade ainda “estava” despreparada para nos dar qualquer direito – e sim, eu me incluo nesta fala -. Nos mostra a truculência policial, o ódio e a falta de respeito que King e seus seguidores tiveram que enfrentar para conseguirem o que queriam. Quando paro para pensar, vejo que nos dias de hoje não é muito diferente. A truculência policial é bem presente e não apenas nos EUA. Quantos jovens negros são mortos no Brasil por dia? É algo a se pensar. Mas, apesar do ódio e das ameaças, King não se deixou abalar, ele seguiu em frente, com a cabeça erguida e continuou a lutar.




            A história é forte, pessoas foram mortas por acreditarem que eram iguais, por acreditarem que mereciam tanto quanto qualquer outra, por que queriam decidir o futuro do seu país. Após terminar de assistir fiquei me perguntando o porquê de o ser humano ser tão cruel, como é possível que alguém se sinta superior apenas pela cor de sua pele? Achar que merece mais por isso? Não consigo compreender. E é algo que, infelizmente, não se foi com o tempo, o ser humano não se tornou mais sábio, compreensível com os anos. Para aqueles que acreditam na tão famosa democracia racial, para aqueles que acham que racismo já não existe, que nós somos “vitimistas”, só peço que abram os olhos e observem com mais atenção o mundo em que vivemos.

            Me pergunto como o Oscar pôde premiar este filme apenas uma vez – e somente a música glory – depois de uma história tão poderosa e importante, quando ano passado 12 anos de escravidão foi tão bem recebido por eles, e então, as palavras de David Oyelowo fazem muito mais sentido. Não nos celebram quando somos agentes de nossa própria história, quando mudamos nossa realidade – apesar de Solomon ter conseguido mudar sua situação praticamente só, embora muitos acreditem que ele tenha sido “salvo” pelo homem branco. – quando fazemos nossas vozes serem ouvidas, eles nos querem escravos, sempre relembrando o papel submisso que tivemos.


            Martin Luther King foi um exemplo, um homem que não se deixou calar, que não pregava o ódio, mas, a tolerância. Martin não foi só um discurso em Washington, ele não foi só um sonho, foi um homem que nos ensinou, e ensina, que abaixar a cabeça e aceitar não é nunca a solução. E é por ele, e por tantos outros e outras que lutaram e lutam pela nossa libertação que continuarei a lutar. Selma is now!

“Freedom is never voluntarily given by the opressor; it must be demanded by the opressed”
- Martin Luther King Jr.

Beijos


Danzinha

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