Nome Original: Calling me home
Autora:
Julie Kiebler
Editora: Novo
Conceito
Skoob:
As
cores do entardecer
Sinopse: As cores do entardecer - A sonhadora Isabelle e o determinado Robert desejavam, com todas as suas forças, se entregar à paixão que os unia. Mas uma jovem branca e um rapaz negro não poderiam cometer tamanha ousadia em plena década de 30, em uma das regiões mais intolerantes dos Estados Unidos, sem pagar um preço muito alto. Diante dos ouvidos atentos da cabeleireira Dorrie, a história do amor trágico e proibido se desdobra, enquanto mudanças profundas se instalam em sua própria vida. Com personagens humanos e, por isso mesmo, memoráveis, As Cores do Entardecer mostra que as relações afetivas muitas vezes são mais profundas que os laços de sangue. A cada etapa da viagem de Isabelle e Dorrie, as lições sobre otimismo e fé se multiplicam. (Retirada do Skoob).
Estou
escrevendo esta resenha pouco tempo após o término da leitura deste livro,
então não se assustem com o que encontrarão abaixo, as emoções ainda estão
exacerbadas e o incômodo não me deixou. E não, isso não é uma coisa boa. Sei
que as histórias que tratam de racismo, relacionamentos inter-raciais tendem a
nos incomodar a colocar o dedo na ferida, mas, não foi esse o incômodo que
senti.
As
cores do entardecer conta duas história, a de Dorrie uma mulher negra, mãe de
dois filhos, cabelereira e divorciada. Ela nos é apresentada, basicamente, para
dar validade à história de Isabelle, uma senhora de 90 anos que viveu um romance
com um homem negro quando tinha 17 anos, nos EUA dos anos 30.
Bem,
iniciei esta leitura com muitas expectativas. Venho me cansando de literatura
contemporânea, ultimamente, basicamente por seus personagens brancos. Muito do
que é divulgado na mídia é mais do mesmo, apesar de algumas gratas surpresas
com personagens diversos, estes ainda não tem tanta visibilidade como deveriam.
Enfim, por esse motivo fiquei muito feliz ao receber este livro, pois,
finalmente me sentiria representada. Minha ilusão durou pouco.
Dorrie,
a “protagonista” negra, teve pouquíssimo espaço. Sua história foi corrida e, para
mim, estranha. Não estou dizendo que tais coisas não acontecem, claro que sim,
mas, não consegui acreditar no que estava lendo, a autora não me passou nenhuma
empatia por esta mulher e sua história, por seus sofrimentos e tristezas. Achei
tudo forçado, como se apenas para coincidir com o que acontecia na história de
Isabelle.
Isabelle
me irritou o tempo inteiro. A autora o colocou em um pedestal, mas, para mim
era apenas mais uma garotinha branca mimada. Não vi nada desse amor profundo
que os personagens alegavam ter. Foi repentino demais. Não fui com a cara dela,
e me pareceu que ela fez tudo aquilo apenas para deixar a mãe com raiva, pois,
não era permitida isso, não era permitida aqui. Me cansou!
Ainda,
a escrita não é pra mim. Achei truncada, sem fluidez e, se estou sendo sincera,
chata e lenta. Vejam bem, não tenho nenhum problema com narrativas lentas, até
gosto muito delas, porém, com esse livro não teve jeito, quase abandonei
diversas vezes, mas, cheguei ao fim, de alguma forma.
Mas,
vamos ao meu problema real. O livro é racista em vários pontos, sei que muita
gente não vai enxergar assim, mas, eu me senti incomodada com a forma que mulheres
negras foram descritas em algumas passagens. A protagonista teve algumas falas
problemáticas também, e isso me irritou, me irritou muito. Como é de se
imaginar, não posso me sentir representada e feliz com um livro em que nossa
fala é limitada – bem limitada – e que transborda estereótipos.
Enfim,
não gostei. Não indico, sei que teve muita gente que gostou, que deu 5 estrelas
inclusive, mas, não rolou comigo.
Beijos
Danzinha

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