Nome
Original: Great Expectations
Autor:
Charles
Dickens
Editora: Companhia das Letras
Skoob: Grandes
Esperanças

Sinopse: A grande característica de Grandes esperanças é ser uma história de redenção moral do protagonista, Pip, um órfão criado rigidamente pela irmã num lar humilde e disfuncional, que, após herdar inesperadamente uma fortuna, rejeita a família e os amigos por se envergonhar da própria origem. No começo conhecemos o infortúnio de Pip, o narrador que vive aterrorizado pela irmã mais velha que, após a morte dos pais, o criou “com a mão de ferro”, bordão para a maneira rígida e por vezes violenta com que trata o filho de criação e também o marido, o ferreiro Joe Gargery. Sua vida começa a mudar com o inesperado convite para que passe a visitar Miss Havisham, uma mulher rica da aldeia, e seja companhia de sua filha adotiva, Estella. Pip imediatamente tem uma queda pela garota, sentimento que se transformará em amor durante a vida adulta e o conduzirá à imoralidade. A vida de Pip sofre uma reviravolta ainda maior quando, já se preparando para o ofício de ferreiro, recebe a visita de um advogado, que anuncia que o jovem é herdeiro de uma fortuna. Após abandonar a família para viver em Londres, Pip passa a desprezar a sua vida anterior, tentando tornar-se digno de se casar com Estella, que, no entanto, não se interessa por seus sentimentos. (Retirada do Skoob)
Bem, este foi o primeiro romance que li de Charles
Dickens. Confesso que tinha medo de ler algo deste autor, sempre achei que sua
escrita seria complicada e que demoraria a entender. Qual não foi minha
surpresa, então, quando iniciei Grandes Esperanças e me deparei com uma leitura
fluida e de fácil compreensão. O livro é interessante e aborda temas que estão
muito presentes na sociedade em que vivemos, com certeza lerei mais Dickens,
pois estou apaixonada por sua escrita.
Foi para mim um dia memorável, pois ocasionou grandes mudanças em mim. Mas é assim com todas as vidas. Imagine que um determinado dia fosse eliminado de sua vida, e pense em todas as consequências que isso teria sobre o resto dela. Para e pensa, tu que me lês, por um momento, na longa cadeia de ferro ou ouro, de espinhos ou flores, que jamais te teria cingido, não fosse a formação de um primeiro elo num dia memorável (p. 121).
Pip é um personagem muito
interessante, vi muita gente comentando que não gosta dele pelas escolhas que
fez, porém, Dickens o fez muito humano. Pip sente remorso, culpa, ele se
arrepende e mesmo assim persiste no erro por muito tempo, quer algo mais
verdadeiro que isso? Nós não somos de forma alguma perfeitos, e acredito que
Philip Pirrip é uma das melhores representações literárias que podemos
encontrar do que é ser humano.
No início ele deseja o que não pode ter, ele odeia quem
ele é, odeia a família que tem e as condições em que vive e é perfeitamente
normal. Quantos de nós não nos sentimos insatisfeitos com o futuro que estava
determinado para nós, quantos de nós não desejou que “algo melhor” aparecesse e
mudasse nossas histórias? É egoísta e totalmente humano.
Estella e a Sra. Harvisham foram um encanto a parte.
Achei interessantíssimo o modo como o autor demonstrou o amor, ou a falta dele.
O modo como este destruiu a vida da Sra. Harvisham e como ela, da sua maneira,
pensava estar salvando a pequena Estella de um destino cruel como o que ela
enfrentou. Achei a obsessão de Pip com Estella doentia, mas, ela representava
tudo aquilo que ele desejava e sabia que não era possível conquistar por mais
que tentasse. Estella não sabia amar, isso ficou claro desde o início, e fiquei
triste por ela.
Os outros personagens também me conquistaram, acho que
esse é o trunfo do grande autor. Dickens escreveu personagens que te encantam,
que te fazem se sentir parte de um clube secreto, que fazem você pedir mais.
Joe, sempre tão bondoso, Wemmick e seu pai idoso em Walworth – me apaixonei –
Herbert, Magwitch, Biddy. Todos eles te conquistam. E, além dos personagens, a
escrita é de tirar o fôlego. Simples, fluida e bela.
Assim é que, no decorrer de nossas vidas, nossas maiores fraquezas e mesquinharias costumam ser motivadas pelas pessoas que mais desprezamos (p. 309).
Enfim,
me apaixonei pela história, pela escrita, pelos personagens, por tudo! Se você
tem dúvidas sobre dar ou não uma chance a essa história eu digo: vai fundo, não
vai se arrepender.
Beijos
Danzinha
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