11 setembro 2012

Resenha + Filme: O Nome da Rosa


Livro: O Nome da Rosa
Página: 562
Autora: Umberto Eco
Editora: Nova Fronteira

Sinopse: Ficção de estréia de um dos mais respeitados teóricos da semiótica, O Nome da Rosa transformou-se em prodígio editorial logo após seu lançamento, em 1980.
Tamanho sucesso não parecia provável para um romance cuja trama se desenrola em um mosteiro italiano na última semana de novembro de 1327.Ali, em meio a intensos debates religiosos, o frade franciscano inglês Guilherme de Baskerville e seu jovem auxiliar, Adso, envolvem-se na investigação das insólitas mortes de sete monges, em sete dias e sete noites.Os crimes se irradiam a partir da biblioteca do mosteiro - a maior biblioteca do mundo cristão, cuja riqueza ajuda a explicar o título do romance: "o nome da rosa" era uma expressão usada na Idade Média para denotar o infinito poder das palavras.Narrado com a astúcia e graça de quem apreciou (e explicou) como poucos as artes do romance policial, O Nome da Rosa encena discussões de grandes temas da filosofia européia, num contexto que faz desses debates um ingrediente a mais da ficção.O livro de Eco é ainda uma defesa da comédia - a expressão do homem livre, capaz de resistir com ironia ao peso de homens e livros. (retirada do Skoob)


 Já começo essa resenha dizendo: Que livro incrível.
 O enredo se desenvolve em 1327, num mosteiro da Itália medieval. Em sete dias, morrem sete monges, de formas estranhas e arrepiantes. Para solucionar esse mistério, contamos com a ajuda de frei Guilherme e seu aprendiz, Adson. Ao mesmo que descobrem os “podres” do mosteiro, descobrem que a biblioteca também esconde seus segredos. Eco, se utiliza de um roteiro policial, no estilo Conan Doyle, que prende o leitor completamente.

Umberto Eco é um estudioso do mundo medieval, então já podem imaginar que essa obra é extremamente rica. Vamos a fundo na mentalidade religiosa, dos costumes de um monteiro e da própria ordem social reinante. Então quem gosta da Idade Media vai se sentir no paraíso ao ler essa obra.

O Nome da Rosa foi inspirado em um manuscrito encontrado, que supostamente foi escrito por um monge que presenciou os acontecimentos. Claro, não é nada muito confirmado, mas Eco desenvolve sua trama como imaginou ter vivido o tal monge. E é pela perspectiva de Adson que nos aventuramos nO Nome da Rosa.

A trama é extremamente rica, acompanhamos esses setes dias que passa a história com afinco, tentando solucionar o problema junto com Guilherme e Adson. Eco criou uma trama tão bem bolada, que o final foi ao mesmo tempo satisfatório - digo isso nas minhas conjecturas do possível assassino - como surpreendente. Gente, genial. Genial.

Peguei esse livro na biblioteca que costumo frequentar. Ele foi impresso em 1992, e está bem surradinho, com as folhas bem amareladas, e com aquele cheirinho de velho, e isso me fez demorar um pouco na leitura porque minha alergia não me deixava passar muito tempo com ele. A obra foi escrita em 1980, mas ao ler você não tem essa impressão, pois ele foi escrito numa linguagem de época – sem falar que há varias citações em latim no livro. Se eu não soubesse de quando é a obra, imaginaria que fora escrito séculos atrás, e ele estar surrado só me fez parecer ainda mais de outra época.

O livro é de uma filosofia incrível. Percebemos mais do que nunca o grande poder que está nas mãos dos cléricos por guardarem tanto conhecimento, por serem praticamente os únicos que sabiam ler e escrever. Quem se interessa por religião, não vai se decepcionar, o livro levanta uns discursos sobre o assunto que lhe faz pensar. Chegou o final e eu fiquei me perguntando se Guilherme quis falar isso, se minha interpretação foi a certa, e se Adson descobre o significado de suas palavras antes não entendidas. Eu desconfio que ele descobriu.

Ousei, pela primeira e última vez na minha vida, uma conclusão teológica: “Mas como pode existir um ser necessário totalmente entretecido de possível? Que diferença há então entre Deus e o caos primigênio? Afirmar a absoluta onipotência de Deus e sua absoluta disponibilidade a respeito de suas próprias escolhas não equivale a demonstrar que Deus não existe?”Guilherme fitou-me sem qualquer sentimento a lhe transparecer no rosto, e disse: “Como pode um sábio continuar comunicando seu saber se respondesse sim à tua pergunta?” Não compreendi o sentido de suas palavras [...] (página 553)

Sem contar que humor britânico de frei Guilherme me tirou boas gargalhadas.
Dei cinco estrelas no skoob e favoritei. Livro fantástico que está mais que indicado.

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“Seria atroz”, disse, “matar um homem para dizer bu-ba-baff!”“Seria atroz”, comentou Guilherme, “matar um homem mesmo para dizer Credo in unum Deum...” (página 131) 
“Um furto?”“Um empréstimo, para maior glória do Senhor.”“Se é assim, contai comigo.” (página 168) 
“Mesmo uma guerra santa é uma guerra. Por isso talvez não devessem haver guerras santas [...]” (página 182) 
[...] porque ninguém neste mundo pode ser obrigado através de suplícios a seguir os preceitos do evangelho, de outro modo aonde iria parar o livre arbítrio no exercício do qual cada um será julgado depois no outro mundo? A igreja pode e deve advertir o herege que ele está saindo da comunidade dos fiéis, mas não pode julga-lo na terra e obriga-lo contra sua vontade. (página 405)

Anotei tantos quotes, mas peguei alguns para vocês verem. Agora, vamos ao filme :D

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Filme: O Nome da Rosa
Duração: 1h e 50 min. aprox.

Pelo fato do livro ser bem grossinho e ter muitos detalhes que se interligam, fiquei me perguntado se a adaptação faria jus a obra. Para mim não fez.
                
Claro, o filme é bem feito, caracteriza muito bem o mundo medieval, e até que seguiu muitos pontos da obra. Mas não posso dizer que foi uma das melhores adaptações que já vi. Talvez porque gostei tanto do livro e esperava algo de igual brilhantismo.
                
Enquanto que no livro o autor não subjuga a inteligência do leitor, no filme logo nos entregam as armações, ou seja, ele não nos fez pensar muito, não nos fez exercitar nossa capacidade dedutiva. Aquela sensação incrível de “é mais não é” do livro não deu de ser sentida na adaptação. O filme tem sim umas horas filosóficas, mas a grande filosofia de Umberto Eco não foi devidamente explorada em minha humilde opinião.
                
Provavelmente eu teria gostado mais do filme se não tivesse livro obra.
                
Mas fiquei revoltada mesmo foi com aquele final. O livro teve um final tão real, mas na adaptação ficou aquela coisa idealizada, onde os bons se dão bem e os maus se lascam.
                
Em resumo, a ambientação foi bem feita, admito, mas a filosofia de Eco não foi tão bem explorada, e isso me deixou triste.

Pabline

5 comentários:

  1. não é o tipo de livro que eu me interesse, com certeza não leria e nem assistiria o filme ><

    Beijos,
    pepperlipstick.blogspot.com.br

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  2. Oii!!
    Adoro a Idade Média, tenho certeza que ia adorar ler esse livro! Nunca tinha ouvido falar dele! ^^
    A escrita do autor me deixou curiosa, parabéns pela resenha, me deixou interessada ^^
    Beeijos

    Elidiane - Leitura entre amigas

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  3. Nossa, adorei!
    O livro já parece ter uma trama ótima e um desenvolvimento melhor ainda, se mexe com essa questão da reflexão sobre religião também, deve ser ainda melhor hehe!
    Uma pena que o filme deixe tanto a desejar. Quanto mais complexa a história, mais complicado de adaptá-la, infelizmente.
    Beijão!

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  4. O livro parece ser muito interessante, fiquei curiosa. Vou ver se assisto ao filme e, se gostar, depois leio o livro. :)
    Beeeijos

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  5. Sou louca para ler esse livro, meu professor de literatura comentou sobre ele algumas vezes, pena que já sei como os monges morreram. Mesmo assim pretendo ler quando tiver uma oportunidade!
    O filme eu desisti de assistir antes de ler o livro pois imaginei mesmo que seria "pior" heheheh

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