25 setembro 2012

Resenha: Éden – Os Filhos da Revolução


Livro: Éden – Os Filhos da Revolução
Páginas: 438
Autor: Jorge Lourenço
Editora: ---

Sinopse: Éden – Os Filhos da Revolução é um romance ambientado num Rio de Janeiro diatópico criado pelo jornalista Jorge Lourenço. A história se passa em 2054, quase três décadas após a cidade viver uma guerra civil fruto da disputa pelos royalties do petróleo. Administrada por um consórcio de empresas, a cidade é partida em duas. Enquanto o lado rico – a Rio Alfa – floresce como uma Dubai latino-americana à beira-mar, a porção pobre – apelidada de “Escombro” – vive no que sobrou do pós-guerra e permanece isolada do resto do mundo.
Entre gangues de motoqueiros, inteligências artificiais que começam a alcançar a senciência e experimentos com seres humanos, a Rio de Janeiro passa por um momento de tensão. Intrigas entre as empresas que gerem a cidade e o surgimento de uma misteriosa jovem com poderes psíquicos começam a mudar o curso da sua história.

Jorge entrou em contato comigo pelo Skoob dizendo que havia visto algumas de minhas resenhas, e gostado. Ele estava em busca de “completos estranhos” para que lhe dessem suas opiniões sobre seu romance, que ainda não foi para a gráfica. Então aqui é onde entro. Ele me falou da sua história... E ela me deixou curiosa de primeira. Como assim uma distopia de ficção cientifica ambientada no Brasil, mas especificamente no Rio de Janeiro? Nunca havia lido uma distopia no Brasil, - e pra quem já me acompanha há um tempo sabe que eu tenho uma queda pelo gênero – então não podia deixar essa oportunidade passar.
Já posso começar me desmanchando em elogios?

Como a sinopse aqui em cima resume muito bem a obra; irei me ater a outros aspectos.
Vou começar falando da criatividade. O autor coloca em sua obra vários elementos; segregação, gangues de motoqueiros, amores no mínimo inusitados, pessoas com poderes psíquicos, aventuras, inteligências artificiais, guerras civis, levanta questões existencialistas, tudo isso misturado nesse mundo mais futurista. Todos elementos que me chamam muita a atenção.

Os personagens são carismáticos. Amei principalmente Alice, suas questões existencialistas me prenderam. Miguel, que é o protagonista da trama, é um personagem interessante. Ao mesmo tempo em que é o mocinho, possui ares de anti-herói - confesso que adorei essas horas, muahaha. E claro, não poderia deixar de fora a Angra, uma personagem com toda uma pinta de vilã, mas carregada de um realismo social indesejado.  Diva *.*

A narrativa em terceira pessoa do Jorge é linda, sério, fiquei impressionada. Será que sou suspeita a falar que adorei serem mencionados certos acontecimentos históricos? Já li muitos livros nacionais que possuíam uma narrativa com seus diálogos meio mecânicos, e apesar dessa ironia, a leitura é fluida e rica. O autor varia, às vezes possui uma linguagem bem dia-a-dia com direto a vários palavrões, e às vezes, as falas se tornam mais serias. A narração possui muita propriedade principalmente nos assuntos com um teor politico, a profissão deve ter ajudado. Ao longo do livro o autor cita grandes pensadores, filósofos – Nietzsche Divo *.* -, escritores e até bandas que vão do rock – e aqui tenho que dizer que fiquei felicíssima de encontrar minha banda preferida, The Beatles, na história – aos gêneros mais clássicos, como jazz.
Aqui uma amostra da escrita de Jorge:

- A dúvida existencial e a busca humana por um deus me fascinam. Eu tenho alguns livros sobre o tema nos meus arquivos. Eu acho que, em última instância, tudo gira em torno da morte.
- Eu também penso assim.
- A morte é o limiar do desenvolvimento absoluto. A ideia da completa inexistência é assustadora.
- Até para vocês?
- Até para mim – A ordem aleatória das músicas colocou Norwegian Wood, dos Beatles, logo depois de Debussy. Alice prestou atenção aos acordes iniciais da canção antes de retomar a resposta. – Não tenho dados suficientes para descartar ou comprovar a existência de deus. Você, pelo menos, tem o beneficio da dúvida quanto ao pós-vida. Eu sei que só tenho essa oportunidade de existir. (página: 239)

Uma trama que não me cansou em nenhum momento, tanto que sempre quando tinha uma horinha, pega meu exemplar encadernado e o lia. Espero logo ver esse livro publicado, o autor merece, criou uma história fantástica e de qualidade, que nem preciso dizer que me encantou. Se o livro já estivesse cadastrado no Skoob eu o avaliaria com 5 estrelas. Com certeza foi uma agradabilíssima surpresa e aproveito para deixar meus agradecimentos ao Jorge. Me sentir muito honrada ao receber seu convite, e mais feliz ainda por que a obra me agradou e muito. Desejo-lhe muito sucesso com Éden – Os Filhos da Revolução.

- Uma vez, eu passei o dia todo acessando o circuito interno de satélites públicos e assisti de vários ângulos o nascer do sol e o cair da noite do espaço. Foi a primeira vez que entendi o significado da palavra beleza. E o significado da vida também. Eu vi a morte de estrelas cujas luz ainda ilumina nossas noites, planetas inteiros sendo engolidos pela explosão de uma supernova. O destino de todos eles eram tão simples quanto o nosso: o completo desaparecimento.
- A única coisa que nos resta é esperar que nossa memória viva através dos nossos atos. (página 433)

PS: O Oraculo é sempre uma mulher, isso só me lembra Sócrates ^ ^

PS 2: Jorge falou que mesmo se amassemos o livro queria escutar uma critica pelo menos do que menos gostamos. Amei o livro, isto já deixei claro, mas teve uma coisinha que não me agradou muito, e infelizmente, disso não posso falar na resenha, é um Spoiler tremendo. Mas Jorge, Parabéns. Belo trabalho. Não me canso de elogiar.

PS 3: Se quiserem conhecer um pouquinho mais do Jorge Lourenço e sua obra, visitem sua conta no Skoob: http://www.skoob.com.br/usuario/626456-jorge

Pabline

3 comentários:

  1. Oi Pá!
    O tema é mesmo interessante, distopia no Brasil é inédito, até onde me lembre!
    Uma das coisas que mais acho interessante nas distopias é esse teor crítico político, e acho que deve ser muito bom ver esse conteúdo aplicado em nosso país!
    Beijão!

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  2. Olá Pabline,
    Que noticia maravihosa é essa? Um livro distópico escrito por um autor brasileiro? Sério, não sabia dessa e confesso que amei saber. Não vejo a hora de ler esta história, a sinopse despertou bastante meu nteresse, espero que ele encaminhe logo esse livro para gráfica por que estou curiosa pra saber mais sobre esse livro!

    Beijos,
    Julyana
    Em Sintonia Com os Livros

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  3. Quero muito ler esse livro =D estava de boa até encontrá-lo e fiquei vidrado com a sinopse e a capa xDDDD Ah, e parabéns pela resenha, me deixou com mais vontade ainda de ler! \o/
    www.umomt.com

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