Livro: A Sangue
Frio
Autor: Truman
Capote
Páginas: 440
Editora:
Companhia das Letras
Nota: 5/5
Sinopse: Um homem religioso, uma mãe depressiva, um adolescente, uma garota dona de casa, um cachorro amedrontado e dois ladrões frustrados. Esses e outros personagens são os ingredientes chave para o romance jornalístico A sangue frio, de Truman Capote. O livro é uma reportagem investigativa sobre o assassinato de quatro membros da família Clutter, o casal e seus dois filhos caçulas, ocorrido em 1959 na cidade de Holcomb, no Kansas, Estados Unidos.
Demorei muito tempo para consegui começar a escrever essa resenha. Sempre
me vinha à mente... Como falar de Truman Capote? Pior, como falar da obra cujo
próprio autor a intitulou como uma obra prima, marco no “romance
não-ficcional”? Oh céus, como escrever?
Enfim, melhor tentar desenvolver um texto, não é?
Esse romance “não-ficcional” se constrói a partir de uma investigação
feita por Truman Capote sobre uma família que foi assassinada em uma cidade
pequenas do Kansas. Por meio de documentos, jornais, e, acredito ser uma das
fontes principais do autor, entrevistas orais, Truman tenta desvendar o
mistério em torno do caso. Quem seriam os assassinos? Moradores próximos?
Forasteiros? Qual o motivo de tal crime? Dinheiro? Afinal de contas a família
era rica. Mas, então porque não levaram nada de valor, só deixaram os corpos
amarrados, um em cada canto da casa, todos com um tiro na cabeça? Seu objetivo
era responder todas essas questões.
A família Clutter era rica, religiosa e muita amada na cidade. Porém
em uma noite de sábado, a casa é invadida por dois homens. O proposito da
invasão vai sendo revelado ao longo do livro, por isso não convém falar nesse
momento; mas, em meio a entrevistas realizadas por Capote aos suspeitos do
crime, vamos conhecendo mais esses personagens. A infância, a adolescência, a
vida adulta, como se conheceram. Todos são aspectos que o autor, mediante
pesquisa, consegue passar para o leitor.
O interessante do livro acima de tudo é o perfil psicológico que o
autor traça de Perry e Dick, que possuem uma amizade no mínimo interessante. Ao
acompanhar a narrativa de Capote, tecendo a personalidade desses sujeitos,
ficamos ao mesmo tempos fascinados e amedrontados só de imaginar do que a mente
humana é capaz. É lindo a discrição dos personagens, eles se tornam
absurdamente reais, complexos, não me referindo apenas aos suspeitos do
assassinado, mas também aos outros membros da sociedade que nos é apresentada.
Mas como o foco do autor são Perry e Dick, acredito que ele acaba tropeçando em
suas próprias ambições.
A meu ver, principalmente em questão ao personagem Perry, até por ter
tido uma maior proximidade como autor por meio das entrevistas, acaba sendo
romantizado a ponto de se tornar praticamente o personagens principal do livro.
Como lidar com uma obra que pretende ser de não-ficção se o autor acaba se
apegando tanto a um personagens real, que acaba colocando suas impressões nele,
abusando de sua subjetividade, apresentando Perry como um personagem fantástico
por acha-lo fantástico?
Tentando analisar a metodologia do autor... Ao fazer entrevistas,
Capote não levava gravador nesses momentos, ele conversava com o entrevistado e
dizia que assim conseguia decorar cada palavra – se formos falar de
porcentagens, seria uma capacidade de gravação que rondaria os 90% -, então,
usando sua memoria, ele passava a entrevista para o papel. Modo um tanto
curioso de lidar com história oral, tanto que foi o aspecto metodológico que
mais me chamou a atenção. Você julga que essa metodologia é suficientemente
cientifica para classificar o livro como uma obra não-ficcional? É possível
garantir algo? Ah, ciências humanas, suas danadinhas.
Além da história desenvolvida, que sim, é muito bem escrita e
desenvolvida, acredito que questões do tipo também devam ser pensadas. Por que
não ser pensada se esse era o objetivo principal do autor?
Desculpe Capote, minha resenha não faz jus ao livro; mas caro leitor,
mesmo não fazendo jus, peço que se deliciem na leitura, e não estranhem ficarem
fascinados por esses personagens; o ser humano desperta essas confusões, mesmo
que esses personagens tenham sangue, ainda que já frio, escorrendo dos dedos.
Pabline

Nunca ouvi falar nesse livro e, me apaixonei pela sua resenha! Fiquei bem curiosa!
ResponderExcluirBeijão
http://thais-monte.blogspot.com.br/
curtii vou usar pra um trabalho de mídia e cultura
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