Livro: Revanche
Páginas: 191
Autor: Mário
Feijó
Editora: Moderna
Nota: 5/5
Sinopse: O ator Zeca era uma criança durante os anos de chumbo. Deveria ter esquecido o que aconteceu naquela época: o assassinato de Reno, seu primo, e a violência contra Cristina, seu primeiro amor. Deveria, mas não esqueceu. Todos os acontecimentos de sua vida, desde então, foram marcados pelas lembranças da tragédia. Acordado ou dormindo, Zeca vive como prisioneiro de um pesadelo, cercado por mistérios e intrigas jamais esclarecidas. A revelação de um terrível segredo, porém, vai mudar tudo. Chegou a hora da revanche.
Quem me emprestou esse livro foi uma amiga de curso. Não sabia ao
certo o que esperar. Ela falou que gostou e achava que eu iria gostar também.
Li a sinopse, achei interessante. Comecei... E me surpreendi completamente.
Zeca sempre teve o sonho de ser ator, mas esse sonho não foi muito
longe, sempre havia empecilhos e o mais perto que chegou da profissão foi
trabalhando na Tv Guanabara como assistente. Sua vida é uma bagunça. Vive um
fim de casamento catastrófico com Aparecida, que junto com a mãe de Zeca,
adoram atormentar sua vida e lhes dizer o quanto ele é inútil, idiota, e como
ele se tornou uma completa decepção.
Em meio a trama conhecemos uma pouco mais sobre sua infância, sonhos, família,
traumas do passado. E aos poucos vamos descobrindo que estamos em meio a um
segredo surpreendente e revoltante.
Os personagens são bem construídos. Muitos odiei, outros sentir pena,
com outros ainda soltei boas risadas. Mas o ponto alto do livro é
principalmente a narrativa. Que trabalho maravilhoso. O livro é narrado pelo
ponto de vista do Zeca, mas o autor se utiliza de expressões como “você isso,
você aquilo” se referindo ao próprio Zeca, a impressão que temos é a de como se
fosse um narrador a parte, ou o próprio Zeca falando com ele mesmo. Nunca havia
visto isto e como amei esse jeito de escrever.
Melhor colocar um trecho do livro para vocês terem noção do quão maravilhoso
é essa narrativa.
Aconteceu de novo. Outro beijo, lento, demorado. O abraço forte. As línguas se encontrando, macias, ternas, carentes. Sua muralha rachando. Em Cristina algo despertava após longa hibernação. Gentil, você a pegou no colo, sem que sua boca deixasse de procurar a dela. No corredor lateral do quintal, entre a casa e o muro que limitara com a garagem do vizinho, havia privacidade.Beijos e muitos mais beijos, carinhos, novos carinhos. Nenhuma palavra, nenhum pensamento. Só carinhos, cheiros, instintos. A muralha desabando, seu desejo intenso, doendo, pulsando, pedindo, implorando, aflito, desesperado. Cristina correspondia, mas foi correspondendo cada vez menos. [...] Você não percebeu (percebeu?) as lágrimas escorrendo pelo rosto dela, pingando no peito. [...] Você devia ter parado, abraçado-a, feito um carinho vem suave nela. É, devia. Mas você não parou, Zeca, seu cretino. (página 78-79)
Só posso dizer o quanto esse livro foi bem escrito, como me prendeu,
me fez rir, me fez ficar apreensiva, me fez fazer caras e bocas quando lia no
ônibus (tenho certeza que alguém pensou que eu era louca ^^). Os conflitos
familiares me fizeram sentir apreensão pelo Zeca, me fizeram perguntar como as
pessoas chegam a essas condições, e usando as palavras do próprio autor, “Revanche
mostra também, como certas famílias podem levar um jovem quase à loucura,
anulando ou distorcendo seu potencial. Negando apoio nos momentos em que ele
mais precisa.”
Tudo isso em meio a tensão Ditadura e pós-Ditadura. Como sentir nojo
de certos personagens, como fiquei impressionada por certas atitudes, como esse
livro me fez olhar para o Homem com olhos temerosos. Uma obra com uma narrativa
bem desenvolvida e arrebatadora, com trechos de uma infância cheia de peraltices
que me fizeram rir, conflitos entre familiares, e um final de deixar o coração
na mão. Eu ainda tinha perguntas, Zeca tinha perguntas, mas o livro terminou da
maneira certa, pois Zeca não poderia fazer mais nada. Zeca, você foi corajoso.
Mas eu não queria isso. Não mesmo. Mas
você acha que foi isso o que
realmente aconteceu, Pabline?
Um livro nacional belíssimo. Mil parabéns ao trabalho de Mário Feijó.
Livro curtinho e de fácil leitura, mas marcante e surpreendente. Indico muito.
Enquanto ela escorregava de costas pela porta, você se aproximou, chegou pertinho, deu uma cheirada no seu pescoço. Dava para sentir o cheiro do medo. Um cheiro bom[...]- Me chama de assassino de novo.- ASSASSINO! – gritou a pleno pulmões.- Legal, me chama de meganha.Ela não entendeu nada. Ficou calada.- Me chama de estuprador.- ...?????- Me chama de meganha assassino e estuprador, porra! Me chama. Me chama de torturador.- Você é um tarado!- Quase[...]Aparecida começou a se despir.- Se você tá com vontade...Estúpida! Depois o tarado era você.Você saiu naquela noite, naquele instante. (página 94-95)
Pabline

Oie!
ResponderExcluirNuca tinha visto este livro, e pelo que vc diz ele deve ser muito bom!!
Achei esta capa muito interessante, passa algo assim de medo, sei lá!
Bjinhs*
http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/
Oi Pabline!
ResponderExcluirNão conhecia o livro e adorei a resenha!
Você falou com tanto entusiasmo sobre o livro que despertou na hora a minha vontade de ler.
Muito bom ver livros nacionais com temática tão interessante. Esse, com certeza, entrou para minha lista de futuras leituras!
Parabéns pela resenha!
Beijos ;*
http://www.coisasdemeninasarteiras.blogspot.com.br/
Nossa Pabline, que dica bacana!
ResponderExcluirComo é bom encontrar resenha de um bom livro nacional nos blogs! \o/
Eu não tinha ouvido falar nesse livro. Mas, a sua resenha, me deixou doida para conhecê-lo!
Parece ser muito interessante! Ainda mais devido ao fato de abordar a temática da ditadura.
Vou ir agora mesmo adicionar ao meu Skoob!!
Beijos!
Oi pabline!
ResponderExcluirNossa que história! Difícil acreditar que tudo isso que você nos relatou se passam apenas em 191 páginas!Parece mesmo ser uma leitura bem diferente, e boa. Ótima resenha!
Beijos,
Marcelle
bestherapy.blogspot.com
Oi Pabline!
ResponderExcluirPerdoe-me a ausência, estive ocupadíssima há um tempo atrás! Enfim, eu já ouvi falar do livro (meu pai passou atrás de mim enquanto lia a resenha e disse que era muito bom, que leu há um tempinho, uns três anos). Adoro a capa por que essas coisas meios... como posso dizer... com esse estilo mais depressivo, me atraem. Eu gosto de dramas e tenho certeza que adoraria esse!
Ri muito com o último trecho que você postou. Quase um tarado... alguém me bate haha.
Beijos!
nathlambert.blogspot.com