06 agosto 2013

Livro + Filme: Laranja Mecânica

Livro: Laranja Mecânica
Páginas: 200
Autor: Anthony Burgess
Editora: Aleph
Nota: 5/5

Sinopse: Narrada pelo protagonista, o adolescente Alex, esta brilhante e perturbadora história cria uma sociedade futurista em que a violência atinge proporções gigantescas e provoca uma reposta igualmente agressiva de um governo totalitário. A estranha linguagem utilizada por Alex - soberbamente engendrada pelo autor - empresta uma dimensão quase lírica ao texto. Ao lado de "1984", de George Orwell, e "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, "Laranja Mecânica" é um dos ícones literários da alienação pós-industrial que caracterizou o século XX. Adaptado com maestria para o cinema em 1972 por Stanley Kubrick, é uma obra marcante: depois da sua leitura, você jamais será o mesmo. (retirada do Skoob)

Finalmente li Laranja Mecânica – uma amiga minha estava me cobrando, e muito -, um clássico da literatura britânica. Eu sabia que para lê-lo seria necessário uma certa paciência e de um certo tempo, pois me disseram que a leitura era um pouco complicada, então aproveitei minhas férias para iniciar o livro.

Laranja Mecânica foi escrito em 1962 e fala de uma sociedade em um futuro não determinado, mas sabemos que a trama se desenvolve numa sociedade inglesa - tanta referencia ao chá, ou tchai, não é atoa - onde conhecemos nosso narrador, Alex, um garoto de 15 anos que é líder de uma gangue. Ele e seus druguis, ou melhor, amigos, são violentos e toda noite saem para fazerem bagunça, roubar, e se pintar a oportunidade, estuprar alguma mulher.

Dando uma pesquisada sobre o livro, olha o que eu descubro! Que o autor se inspirou em um fato real que aconteceu com ele, quando sua primeira esposa foi estuprada por quatro rapazes; o escritor que aparece no livro nada mais é do que uma inspiração no próprio Burgess. A leitura é tensa, pois estar na cabeça de Alex dá uma certa aflição, sem conta que nos é apresentado uma sociedade onde as ondas de crimes ganham proporções extremas, e onde parece que não há ninguém para ajudar; mas a leitura também é um tanto complicada pelas diversas gírias que o autor se utiliza, o dialeto nadsat, ou seja, um dialeto adolescente.

Alex é um sujeito que quem olhasse falaria que ele tem tudo, dinheiro, pais amorosos, uma casa confortável, e pelo fato dele ter paixão pela música clássica – seu compositor preferido é Beethoven, ou melhor, Ludwig van; Alex trata ele pelo primeiro nome, sabe como é a intimidade! -, muitos diriam que ele tem um gosto refinado e é muito inteligente; mas o autor vem desconstruir totalmente essa ideia, de que isso formaria um bom cidadão, uma pessoa de bem. Há mais coisas nesse meio.

Depois de algumas reviravoltas e traições, Alex é levado para uma prisão, e nesse ambiente o autor teci criticas à Religião e ao Estado; pois o Estado em que Alex se entrega tem traços totalitários. Na prisão ele acaba sendo submetido a uma técnica de mudança de personalidade, chamada Ludovico, que procura por indução de sentimentos de aversão sobre uso de drogas e cenas repetitivas de violência, despertar um sentimentos de desconforto ao presenciar cenas parecidas, assim a pessoa se tornaria "boa". Alex é a personificação da decadência dessa sociedade, imersas em desemprego, decadência moral, conflitos entre forças liberais e conversadoras, onde esse Tratamento vem como “salvação” para esse problema da juventude moderna decadente.

Um das coisas mais geniais no livro é justamente a linguagem criada pelo autor, que nos faz entrar de cabeça nessa sociedade. Preciso repetir: essa foi uma ideia genial. No começo nos pegamos empacando na leitura, tendo que olhar diversas vezes para o glossário lá atrás, mas depois lemos com muita facilidade, pois nos habituamos ao linguajar, às gírias nadsat; e é impossível chegar ao final da leitura sem ficar com algumas sloves horrorshow na cabeça, e essa kal total. O interessante também é como o autor usa repetições de palavras e onomatopeias ditas pelos jovens, para dá justamente a ideia de uma fala mais infantil. Muito, muito horrorshow!

Indico muito essa leitura, as criticas sociais são tão lindas que dá vontade de chorar de emoção. Alex é uma figura complexa, que vai se transformando ao longo do livro e querendo ou não, por mais maluco que seja, acabamos gostando dele.

“Mas tive de smekar, pensando no que eu havia videado um dia num daqueles artigos sobre a Juventude Moderna, sobre como a Juventude Moderna estaria bem melhor se Uma Vívida Apreciação das Artes pudesse ser tipo assim incentivada. A Grande Música, ele dizia, e a Grande Poesia acalmariam a Juventude Moderna e tornariam a Juventude Moderna mais Civilizada. Civilizada meus yarblis sifilíticos.” – página 44

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Filme: Laranja Mecânica

Duração: 131 min. aprox.
Direção: Stanley Kubrick

O filme Laranja Mecânica foi feito no mesmo ano em que o livro foi lançado aqui no Brasil, em 1971.

O filme segue bem a cronologia do livro, sendo que houve alterações só em como certas cenas foram feitas, mas seguindo a meia ideia. O autor de Laranja Mecânica tem um foco mais social em sua narrativa, nas se atendo tanto a descrever espaços físicos, e foi esse ultimo detalhe que o direto acrescentou ao filme; podemos observar isso nos detalhes das roupas, na construção do espaço do lar com essa mistura indecisa de algo moderno e retrô.

O ruim do filme é que não nos sentimos entrando de cabeça nessa sociedade, pois não utilizam tanto as gírias como é utilizada no livro, mas acredito que isso era algo necessário já que filmes são mais dinâmicos. O longa também chama muito a atenção pela trilha sonora que é imersa em música clássica, a grande paixão do nosso Humilde Narrador.

Talvez até pela época em que foi feito o filme, as dramatizações são muito... dramáticas; ou talvez isso seja justamente para acentuar as personalidades dos personagens, e suas intenções. Porém não tenho defeitos para colocar em Malcolm McDowell, que é quem interpreta Alex, fez um trabalho maravilhoso. Ele era o Alex.

Mas o que eu mais gostei mesmo no filme foi o final, que é bem diferente do livro pois o diretor queria manter essas características mais satíricas e tensas do inicio da trama. O final me fez soltar altos smekes, quer dizer, gargalhadas. Horrorshow, horrorshow, horroshow!

Enfim, aconselho tanto a leitura do livro, quanto a assistirem ao filme. Adorei a experiência.



 
Alex
Pabline



3 comentários:

  1. Tenho muita vontade de ler o livro e ver o filme.
    Sempre vejo críticas positivas e também sobre isso que vc comentou, de que a leitura é complicada.
    O filme eu ainda não vi porque quero ler primeiro.
    Bjo

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  2. já li o livro e vi o filme, a história é Horrorshow demais mesmo :DD

    http://torporniilista.blogspot.com.br/

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  3. O ator que fez o Alex foi realmente perfeito na interpretação. Adoro o filme, só falta terminar o livro agora rs

    Beijos,
    Jhey
    www.passaporteliterario.com

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